"A Linguística é a parte do conhecimento mais fortemente debatida no mundo acadêmico. Ela está encharcada com o sangue de poetas, teólogos, filósofos, filólogos, psicólogos, biólogos e neurologistas além de, não importa o quão pouco, qualquer sangue possível de ser extraído de gramáticos."(Russ Rymer)
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
A Origem da Linguística e Uma Visão Geral de Suas Correntes Filosóficas.
Olá, pessoal! Nesta nova publicação, gostaria de falar sobre a origem da linguagem dada como ciência (Linguística) além de uma breve explicação sobre cada corrente filosófica. Pretendo criar mais publicações me aprofundando em cada uma delas isoladamente, espero ter competência para isso. Enfim, vamos ao que nos interessa, Rs.
Em meados do século XVII houve um interesse em observar e procurar o que as línguas tinham em comum (com a gramatização). Analisava-se as estruturas internas (como por exemplo, verbo, predicado) e como se davam suas funções nessas diferentes línguas. Era essa o objetivo dos gramáticos gerais, observar o que as línguas possuíam em comum através de análises gramaticais.
Já os comparatistas, tempos depois, acreditam que as todas as línguas vieram de uma língua mãe, o latim. Acreditavam nisso porque percebiam semelhanças em línguas, como por exemplo, nas seguintes palavras:
Nuit (Latim)
Noche (Espanhol)
Night (Inglês)
Noite (Português)
No final do século XIX, surgiu o movimento historicista que defendia que a língua passa por transformações. Os historicistas, portanto, estudavam essas transformações e o porque delas, ou seja, o motivo pelo qual algumas palavras se modificam, como por exemplo:
Vejam a modificação desse termo ao longo do tempo: "Vossa merecendência" > "Vossa mercê" > "Vossemecê" > "Vosmecê" > "Vancê" > "Você" > "Cê". . O que antigamente era usado como pronome de tratamento para a corte (Vossa merecendência), transformou-se, hoje, em um tratamento familiar e totalmente reduzido em "cê".
Observa-se portanto, estudos sobre línguas, mas não como uma ciência. A linguística surgiu com Ferdinand de Saussure, considerado por muitos o pai desta ciência, com a publicação do livro: "Curso de Linguística Geral", que apesar de estar assinado com seu nome, não foi ele de fato quem escreveu (mas isso é assunto pra outra postagem, rs). O ESTRUTURALISMO é, portanto, a primeira corrente filosófica da Linguística. Ela parte da ideia de relação de interdependência (os fones, os léxicos, são estruturas que se interligam, são dependentes, por exemplo). Há também uma determinância da língua, exemplo:
No português, é sempre: " O cachorro" , "O gato" (Há sempre o artigo antes do verbo) e NÃO "Cachorro o", "Gato o";
No inglês, não há marcação de gênero, é sempre "The" tanto para feminino quanto para masculino. Isso não ocorre com o português, usa-se "o" ou "a" de acordo com o gênero.
O estruturalista preocupa-se com a descrição da língua em vários níveis (fonético/fonológico, morfológico, sintático...)
A segunda corrente, o GERATIVISMO (N. Chomsky), defende a ideia de que a língua é inata, isto é, já se nasce com ela. É a única corrente que é considerada biológica, não das ciências humanas como as outras. Um dos argumentos usados para defender esta corrente, é que os bebês, por exemplo, aprendem a língua com poucos recursos, pois não as mostram uma diversidade de palavras, fala-se pouco com elas ("quer mamar, bebê?" , "quer papar?!" - coisas do tipo, Rs), e mesmo assim elas ainda conseguem falar além disso. Para Chomsky, isso é possível porque elas produzem dados que não foram ouvidos antes, pois a língua é inata e vai se desenvolvendo ao longo do tempo. Para os gerativistas, a língua é passiva de explicação e não de descrição (que é defendido por estruturalistas), exemplo:
Com base na seguinte expressão: "O onça"
O estruturalista diria que nessa língua não se faz marcação de gênero.
O gerativista iria pesquisar os motivos por se falar assim (as questões históricas, sociológicas e etc).
Enquanto os estruturalistas trabalham com o corpus (léxico), os gerativistas não, pois defendem que pelas próprias produções eles buscam explicações. Ele não vai até um determinado local geográfico para colher dados e construir corpus. Por falta dessa falta de corpus ele forma HIPÓTESES e tenta verificar se essas hipóteses se confirmam. Já um estruturalista, como já dito, teria um corpus. Com ele, descreveria a língua e chegaria em uma conclusão (exemplo: essa língua não usa concordância nominal). Os gerativistas defendem também a universalização da língua (gramática).
A terceira corrente, o FUNCIONALISMO, em oposição ao estruturalismo e gerativismo, se preocupa em estudar a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os diferentes contextos comunicativos em que elas são usadas. Não se trata de uma abordagem monolítica; ao contrário, ele reúne um conjunto de subteorias que coincidem na postulação de que a língua tem funções cognitivas e sociais que desempenham um papel central na determinação das estruturas e dos sistemas que organizam a gramática de uma língua. O funcionalismo se caracteriza pelo objetivo de investigar a relação entre forma e função no uso da língua; estuda as capacidades linguísticas e comunicativas (competência de adequar a língua – formulação de textos) aos contextos de produção.
Uma análise funcional da língua entende que cada escolha do usuário estabelece uma função para a constituição textual. Essa é uma das diferenças entre o Funcionalismo e o Estruturalismo: para este, a noção de função linguística surge pela oposição de elementos linguísticos, para aquele, surge da articulação.
Já a quarta corrente, o MATERIALISMO, foge um pouco desse âmbito estritamente linguístico, pois os materialistas vão pensar na linguagem não apenas no aspecto linguístico, mas também e principalmente no aspecto social e histórico.
Defendem a ideia de que no nível do sentido existe uma ordem do enunciável, atingindo tanto o objeto como o sujeito da enunciação. Acreditam que existe uma espécie de filtros linguísticos que determinam o que deve ser dito ou não numa enunciação; os materialistas focam seu trabalho na área de pensar nas condições e possibilidades do discurso. Ao contrário do Estruturalismo, para Bakhtin, é incorreto pensar na linguagem como um sistema pois não seria possível pensar em todos os fenômenos da linguagem se não levassem em consideração os sujeitos, pois segundo esta corrente, a "minha" fala depende da fala de outra pessoa. Em síntese, para Bakhtin "é tudo social" e as questão linguísticas devem ser pensadas olhando diretamente para a sociedade, o sujeito enquanto falante.
Pessoal por hoje é isso. Como eu já mencionei, meu objetivo era passar uma visão geral de cada corrente para posteriormente, explorá-las.
Até mais,
Abraços :)
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