Olá pessoal, espero que estejam todos bem. O professor Baronas começou a explicar sobre a corrente filosófica denominada Funcionalismo. Gostarai de compartilhar com vocês o que absorvi e a medida que for ampliando meu conhecimento, compartilho com vocês. Um beijo e Até mais:
O Funcionalismo é uma das correntes filosóficas da linguística.
É um modo de se pensar a língua de uma maneira formalista. A preocupação em se analisar por este viés, são as questões mais relacionadas com o significante do que com o significado.
A abordagem funcionalista se ocupa com a função destes elementos linguísticos. Parte da ideia de que a língua exerce várias funções. Para os formalistas, o que interessa é analisar os elementos, construção da língua, não o seu funcionamento.
Esta corrente pensa a linguagem como um sistema que pode ser representado formalmente, pensar a linguagem humana como um sistema que pode ser representado através de elementos estruturais.
O formalismo, além de questões relacionadas a sintaxe, se atenta também em uma descrição no âmbito na semântica e da pragmática.
É na interação, na comunicação que a linguagem se constitui como tal. É nesta perspectiva também, na interação, que os funcionalistas analisam a linguagem. Estas interações transformam modificações na linguagem.
"A Linguística é a parte do conhecimento mais fortemente debatida no mundo acadêmico. Ela está encharcada com o sangue de poetas, teólogos, filósofos, filólogos, psicólogos, biólogos e neurologistas além de, não importa o quão pouco, qualquer sangue possível de ser extraído de gramáticos."(Russ Rymer)
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Expressões/Palavras em outras línguas que não existe tradução no português!
Sim, apesar de parecer um pouco estranho para os leigos, isso é possível! Há expressões em outras línguas que não existe uma tradução no português. Ao invés disso, usa-se explicações. Veja alguns exemplos:
-Expressão: Koi No Yokan. Língua: Japonês.
Significado: A sensação ao encontrar alguém de que me apaixonar por ele ou ela é inevitável
- Palavra: Waldeinsamkeit. Língua: Alemão.
Significado: O sentimento experimentado quando se está sozinho em uma floresta
Palavra: Culaccino. Língua: Italiano. Significado: A mancha deixada na mesa por um copo de água gelada
Palavra: Komorebi Língua: Japonês. Significado: A interação entre a luz e as folhas quando a luz solar brilha através das árvores
Palavra: Jayus Língua Indonésia. Significado: É uma piada tão mal contada e sem graça que você não pode deixar de rir.
Palavra: Pana Po'o Língua: Havaiano. Significado: O ato de coçar a cabeça a fim de ajudá-lo a se lembrar de algo que você tenha esquecido
Palavra: Dépaysement Língua: Francês. Significado: O sentimento que surge quando não se está em seu país de origem - de ser um estrangeiro, ou um imigrante, de estar um pouco deslocado de sua origem
Palavra: Goya Língua: Urdu (língua nacional do Paquistão) Significado: Esta palavra Urdu representa a suspensão da descrença que ocorre durante o momento em que alguém conta uma boa história
Palavra: Mångata Língua: Sueco. Significado: Representa o reflexo da lua que forma uma espécie de caminho na água
Palavra: Hygge Língua: Dinamarquês. Significado: O ato de relaxar com os entes queridos e bons amigos, geralmente, enquanto desfruta de comida e bebida. A palavra está associada a aconchego.
-Expressão: Koi No Yokan. Língua: Japonês.
Significado: A sensação ao encontrar alguém de que me apaixonar por ele ou ela é inevitável
- Palavra: Waldeinsamkeit. Língua: Alemão.
Significado: O sentimento experimentado quando se está sozinho em uma floresta
Palavra: Culaccino. Língua: Italiano. Significado: A mancha deixada na mesa por um copo de água gelada
Palavra: Komorebi Língua: Japonês. Significado: A interação entre a luz e as folhas quando a luz solar brilha através das árvores
Palavra: Jayus Língua Indonésia. Significado: É uma piada tão mal contada e sem graça que você não pode deixar de rir.
Palavra: Pana Po'o Língua: Havaiano. Significado: O ato de coçar a cabeça a fim de ajudá-lo a se lembrar de algo que você tenha esquecido
Palavra: Dépaysement Língua: Francês. Significado: O sentimento que surge quando não se está em seu país de origem - de ser um estrangeiro, ou um imigrante, de estar um pouco deslocado de sua origem
Palavra: Goya Língua: Urdu (língua nacional do Paquistão) Significado: Esta palavra Urdu representa a suspensão da descrença que ocorre durante o momento em que alguém conta uma boa história
Palavra: Mångata Língua: Sueco. Significado: Representa o reflexo da lua que forma uma espécie de caminho na água
Palavra: Hygge Língua: Dinamarquês. Significado: O ato de relaxar com os entes queridos e bons amigos, geralmente, enquanto desfruta de comida e bebida. A palavra está associada a aconchego.
As Três Evidências de Chomsky Para Comprovar a Inerência da Língua.
Olá pessoal, espero que estejam todos bem. Vou compartilhar com vocês, de maneira breve, as três evidências que se acordo com Chomsky, comprovam que a língua é inerente ao ser humano, isto é, biológico. Uma maneira inovadora e única de se pensar a lingua: biologicamente.
A linguagem é algo inerente aos humanos e é o que nos diferencia dos demais seres. Para defender este pressuposto, Chomsky se baseia em três evidências.
1º : Todos os seres humanos falam uma língua natural, independente de ser agrafa ou não.
2º : Todas as línguas possuem o mesmo grau de complexidade, estruturação. Uma língua não é mais difícil que a outra, pelo contrário, não igualmente difíceis, tanto a materna como a segunda língua.
3º : A linguagem tem estatuto biológico. As afazias contribuem muito para se dizer que há uma parte do cérebro (lado esquerdo) responsável pela expressão da linguagem, bem como da compreensão.
Abraços, pessoal. Até mais!
A linguagem é algo inerente aos humanos e é o que nos diferencia dos demais seres. Para defender este pressuposto, Chomsky se baseia em três evidências.
1º : Todos os seres humanos falam uma língua natural, independente de ser agrafa ou não.
2º : Todas as línguas possuem o mesmo grau de complexidade, estruturação. Uma língua não é mais difícil que a outra, pelo contrário, não igualmente difíceis, tanto a materna como a segunda língua.
3º : A linguagem tem estatuto biológico. As afazias contribuem muito para se dizer que há uma parte do cérebro (lado esquerdo) responsável pela expressão da linguagem, bem como da compreensão.
Abraços, pessoal. Até mais!
Ainda sobre o Gerativismo!
Olá pessoal, espero que estejam bem. Depois das postagens anteriores e com o vídeo sobre Chomsky, vamos continuar falando de gerativismo? Rs.
Para Chomsky, a língua é biológica, não uma herança social, de natureza genética. Tanto o estruturalismo como o gerativismo trabalha com a "herança que se tem na mente", mas de maneiras distintas.
- Universal linguístico (Todas as línguas):
- Todas tem predicado e sujeito.
- Todas possuem numeral, um sistema numérico (Algumas indígenas só tem o um e o dois - interessante, não?!)
- Todas as línguas possuem sons consonantais e vocálicos (e se organizam a partir deles)
- Todas as línguas possuem recursividade (um número finito de sons que permitem criar sons infinitos);ESTE CONCEITO FOI REFUTADO.
- Todas as línguas fazem a negação inserindo um elemento. Ou seja, nunca se tira, sempre acrescenta.
Essas características foram usadas como argumentos para se dizer que a língua relaciona-se com a genética, já que línguas sem estarem em contato, possuem estas mesmas características. Portanto, na perspectiva de Chomsky, uma língua não culturalmente adquirida.
Para Chomsky, a língua é biológica, não uma herança social, de natureza genética. Tanto o estruturalismo como o gerativismo trabalha com a "herança que se tem na mente", mas de maneiras distintas.
- Universal linguístico (Todas as línguas):
- Todas tem predicado e sujeito.
- Todas possuem numeral, um sistema numérico (Algumas indígenas só tem o um e o dois - interessante, não?!)
- Todas as línguas possuem sons consonantais e vocálicos (e se organizam a partir deles)
- Todas as línguas possuem recursividade (um número finito de sons que permitem criar sons infinitos);ESTE CONCEITO FOI REFUTADO.
- Todas as línguas fazem a negação inserindo um elemento. Ou seja, nunca se tira, sempre acrescenta.
Essas características foram usadas como argumentos para se dizer que a língua relaciona-se com a genética, já que línguas sem estarem em contato, possuem estas mesmas características. Portanto, na perspectiva de Chomsky, uma língua não culturalmente adquirida.
Noam Chomsky no Programa "Roda Viva" - 1996, Brasil.
Olá, pessoal!
Já que o assunto é gerativismo, resolvi compartilhar com vocês, para complementar nossos estudos, uma entrevista de Noam Chomsky de 1996, no programa "Roda Viva" aqui no Brasil. Não deixem de assistir, é ótimo!
Um abraço e até mais!
Já que o assunto é gerativismo, resolvi compartilhar com vocês, para complementar nossos estudos, uma entrevista de Noam Chomsky de 1996, no programa "Roda Viva" aqui no Brasil. Não deixem de assistir, é ótimo!
Um abraço e até mais!
Esclarecimentos breves (Gerativismo)
Olá, espero que estejam bem. Postarei breves esclarecimentos que julgo importante ainda sobre o Gerativismo:
- O programa de pesquisa gerativista assume como um dos seus pressupostos que a linguagem é uma capacidade inata dos seres humanos. As evidências que sustem este pressuposto é o fato de que crianças, por exemplo, conseguem pronunciar palavras nunca ouvidas por ela antes, ou seja, falam uma língua na qual lhe foi apresentado pouco recurso (Princípio da recursividade).
- A linguagem humana no entendimento de N. Chomsky baseia-se em uma propriedade elementar chamada propriedade da infinitude discreta. Esta infinitude discreta seria a possibilidade do falante criar frases finitas a partir de conjuntos, meios finitos. A linguagem humana no entendimento de N. Chomsky baseia-se em uma propriedade elementar chamada propriedade da infinitude discreta. Esta infinitude discreta seria a possibilidade do falante criar frases finitas a partir de conjuntos, meios finitos.
- O programa de pesquisa gerativista assume como um dos seus pressupostos que a linguagem é uma capacidade inata dos seres humanos. As evidências que sustem este pressuposto é o fato de que crianças, por exemplo, conseguem pronunciar palavras nunca ouvidas por ela antes, ou seja, falam uma língua na qual lhe foi apresentado pouco recurso (Princípio da recursividade).
- A linguagem humana no entendimento de N. Chomsky baseia-se em uma propriedade elementar chamada propriedade da infinitude discreta. Esta infinitude discreta seria a possibilidade do falante criar frases finitas a partir de conjuntos, meios finitos. A linguagem humana no entendimento de N. Chomsky baseia-se em uma propriedade elementar chamada propriedade da infinitude discreta. Esta infinitude discreta seria a possibilidade do falante criar frases finitas a partir de conjuntos, meios finitos.
Gerativismo: Princípio da Recursividade
O principio da recursividade é definido pela capacidade que um indivíduo tem de reproduzir uma variedade ilimitada de sentença.
O que está em causa para Chomsky é um falante ideal e não um falante real. Sua teoria conduz à existência de uma gramática universal em que alguns traços são comuns a todas as línguas da humanidade. Toda língua, por exemplo, possui recursividade; toda língua distingue nomes e verbos; toda língua distingue três pessoas do discurso; toda língua tem pelo menos três vogais.
Tudo isso implica dizer, para Chomsky que a linguaguem independe do meio cultural em que os falantes vivem.
Pessoal, posteriormente exploraremos esta questão. Abraços, até mais! :)
O que está em causa para Chomsky é um falante ideal e não um falante real. Sua teoria conduz à existência de uma gramática universal em que alguns traços são comuns a todas as línguas da humanidade. Toda língua, por exemplo, possui recursividade; toda língua distingue nomes e verbos; toda língua distingue três pessoas do discurso; toda língua tem pelo menos três vogais.
Tudo isso implica dizer, para Chomsky que a linguaguem independe do meio cultural em que os falantes vivem.
Pessoal, posteriormente exploraremos esta questão. Abraços, até mais! :)
Vamos falar de Gerativismo?
(Noam Chomsky)
O principal debate suscitado na ciência da linguística foi protagonizado pelo linguista Noam Chomsky nos anos 50 do século passado. Em seu livro “Syntatic Structures” Chomsky, apoiado no racionalismo clássico (cartesiano) e na tradição lógica de seu programa de pesquisa critica veemente os seguidores de Boomfield por seu modo estruturalista de analisar a linguagem. Para alguns filósofos da linguística, Chomsky teria promovido com seu programa de pesquisa uma verdadeira revolução científica, instaurando um novo paradigma científico.
Chomsky foi o pai do gerativismo. Essa corrente começou com a publicação de seu livro e como já mencionado, seu “inimigo” rival era Bloomfield. O programa de pesquisa de Chomsky rebaterá a postura analítica dos estruturalistas. Esta nova perspectiva de linguística afirma que o homem já nasce com a linguagem. Faz parte da natureza humana. Uma língua não se restringe à um corpus pois quando esta se restringe num conjunto finito, a lingua torna possível um conjunto infinito. Uma língua não se restringe a um conjunto finito de frases, mas se constitui num saber a propósito dessas frases. Ou seja, os falantes possuem um saber inato sobre sua própria língua que os habilita a distinguir uma frase gramatical de uma agramatical. O domínio desse saber vem desde a maternidade.
Enquanto para os Estruturalistas as pessoas aprendem a língua por repetição, para os gerativistas não, pois os dados que se fornece para a criança é muito pouco e ainda assim, ela consegue fazer outras construções linguísticas, o que evidencia que não se trata de um aprendizado por repetição.
Chomsky argumenta que a gramática de uma língua se constitui de um conjunto de regras (regras enquanto REGULARIDADE, que não é normativa). Exemplo: é regular que na língua portuguesa o artigo venha antes do nome. Estas regularidades, cuja aplicação é mecânica produz frases admissíveis dessa língua. Surge assim, a gramática gerativa, porque possibilita a partir de um conjunto limitado de regras gerar um número infinito de frases.
A língua para Chomsky não se define somente pelas frases existentes, mas também por aquelas possíveis de serem criadas a partir de regras. Essas regras são interiorizadas pelos falantes que os torna aptos a produzir frases.
Por hoje é isso, pessoal. Na próxima postagem continuaremos com o Gerativismo.
Abraços, até mais! ;)
Livro " Princípios da Linguística Geral" de M. Câmara - Download
Pessoal, para quem se interessou pelo nosso Estruturalismo, isto é, o brasileito, postarei o link para download do livro " Princípios da Linguística Geral" de Mattoso Câmara. É gratuito!
Aqui está o link: https://www.passeidireto.com/arquivo/1080655/mattoso-camara-joaquim---principios-de-linguistica-geral
Façam bom proveito! Um beijo e até mais! :)
Estruturalismo Brasileiro. Sim, Brasileiro!
Olá pessoal, espero que estejam bem! Vamos falar de Estruturalismo brasileiro?
O estruturalismo adentrou-se no Brasil através de Mattoso Câmara com a publicação do livro “Princípios da Linguística Geral”, que teve a primeira publicação 25 anos depois do CLG.
O problema mata M. Câmara era descrever o português brasileiro, com as variações dentro do Estado, que era diferente do português de Portugal. Seu foco era a preocupação em entender e descrever este português brasileiro que se resultou neste após estar contato com outras línguas. Sobretudo indígena.
Esta proposta sugerida por Mattoso, fazia parte do projeto pedagógico da construção da própria identidade brasileira. Até 1941, havia projetos sobre descrição de dialetos, no entanto, apenas Matosso deu cientificidade para o projeto. O estruturalismo bebe da fonte do Estruturalismo norte-americano (Matosso foi aluno de Boomfield e de E. Sapir). Em Boomfield, procura subsídios em relação à substância e ao indivíduo e no cultural, através de Sapir. No caso do Brasil, a sistematização também se dá de forma cultural o que é bem diferente dos outros dois tipos de estruturalismo.
Do ponto de vista teórico, esta perspectiva parecia absurda. Sapir acredita que a cultura é expressada através da língua (como a cultura machista, por exemplo, que é refletida na língua). Porém, Mattoso conciliou conceitos (internos e externos) que pareceriam impertinentes ao Estruturalismo. No entanto, o objeto de estudo, isto é, o português brasileiro chamava por uma análise deste tipo.
Relativamente se pode dizer, portanto, que no Brasil houve um novo tipo de Estruturalismo.
sábado, 29 de novembro de 2014
Dissertação!
Olá pessoal, espero que estejam bem. Como eu postei questões sobre o texto "O empreendimento Gerativo", julguei interessante compartilhar com vocês uma dissertação que fiz sobre este trecho do texto:
“A história da GG conhece três grandes estratégias na delimitação do conhecimento sobre a língua presente na mente/cérebro dos falantes.”
Segundo a afirmação contida no livro de José Borges Neto, “a história da gramática gerativa conhece três grandes estratégias na delimitação do conhecimento sobre a língua presente na mente/cérebro dos falantes”. Nesta obra, o autor pretende mostrar os três principais tipos de pensamento gerativista.
A primeira estratégia do gerativismo, é aquela explicitada na obra LSLT (Logical Scructure Of Linguistic Theory) e na SS (“Syntactic structures”). Em “The Logical Scructure Of Linguistic Theory”, é explicitado os fundamentos desta nova teoria linguística. Em “Syntactic structures”. N. Chomsky propunha algo bem diferente do que era proposto pelos estruturalistas, isto é a a capacidade que falar, que nasce com o falante, por isso, a linguagem por Chomsky é pensada como algo biológico, não social (como os estruturalistas).
Em 1960, com a publicação do livro “Aspects of the theory of syntax”, surge, para implementar esta nova corrente e como segunda estratégia da gramática gerativa, a noção de “teoria padrão”. Em 1960, quando algumas questões que inicialmente não estavam concretizadas, em meados desta década, essas passaram a ser melhor esclarecidas. Surge então, para melhor explicitar e concretizar a teoria, a ideia inatismo, que passou a ser a hipótese de trabalho, com a consequência da psicologização. Surge também, a noção de estrutura profunda e o léxico, anteriormente deixado um pouco às margens, passa a ser relevante, e como consequência desta relevância, há maior preocupação com a ordem da semântica. Neste momento em que a teoria encontra-se de forma mais concisa, Chomsky passa a receber também as primeiras críticas. Ainda sobre, a teoria-padrão a forma da gramática proposta por ela, encontra-se organizada em três componentes maiores, um componente sintático (que é gerativo) sendo o único que constrói representações, e os dois restantes, constroem interpretações. Assim, há como um componente sintático à base subseqüente pelo componente categorial (isto é, pelo léxico, e pelo componente transformacional). Em respostas a algumas críticas que recebeu, Chomsky afirmou que o componente sintático especifica um conjunto infinito de objetos formais abstratos e cada um deles incorpora as informações de relevância para gerar assim, interpretação única de frase particulares da língua.
Na terceira e última fase, a das regras aos princípios, dá- se aqui os princípios e os parâmetros. Nessa fase os seguidores do pensamento de Chomsky tentaram restringir o poder descritivo da gramática para aumentar o poder explicativo sobre ela. Nesta fase também, há uma tensão entre adequação descritiva e explicativa. A teoria, por sua vez, seria explicativamente adequada quando ela reproduzisse o comportamento de uma criança que adquire a linguagem. Para adquirir a adequação descritiva e construir gramáticas para todas as línguas naturais, os mecanismos teóricos disponíveis devem ser suficientemente ricos e diversos para que pudessem sustentar teoricamente todas as riquezas e diversidades que línguas naturais possuem.
Apesar das críticas que esta corrente recebeu ao longo de sua trajetória, nota-se o progresso da mesma. Mais importante do que julgá-la correta ou não, é importante considerar este ponto de vista sobre um mesmo objeto: a linguagem. Um ponto de vista, que, entre as correntes filosóficas que abrange a linguística, é a única que a enxerga pela ciência biológica e como tantas outras teorias, felizmente pôde ser contestada, para que assim, pudesse criar outras. Desta maneira, nota-se sua importante atuação na construção das ciências humanas, em particular, a linguística (expressão de opinião própria).
É isso. Abraços e até mais! :)
“A história da GG conhece três grandes estratégias na delimitação do conhecimento sobre a língua presente na mente/cérebro dos falantes.”
Segundo a afirmação contida no livro de José Borges Neto, “a história da gramática gerativa conhece três grandes estratégias na delimitação do conhecimento sobre a língua presente na mente/cérebro dos falantes”. Nesta obra, o autor pretende mostrar os três principais tipos de pensamento gerativista.
A primeira estratégia do gerativismo, é aquela explicitada na obra LSLT (Logical Scructure Of Linguistic Theory) e na SS (“Syntactic structures”). Em “The Logical Scructure Of Linguistic Theory”, é explicitado os fundamentos desta nova teoria linguística. Em “Syntactic structures”. N. Chomsky propunha algo bem diferente do que era proposto pelos estruturalistas, isto é a a capacidade que falar, que nasce com o falante, por isso, a linguagem por Chomsky é pensada como algo biológico, não social (como os estruturalistas).
Em 1960, com a publicação do livro “Aspects of the theory of syntax”, surge, para implementar esta nova corrente e como segunda estratégia da gramática gerativa, a noção de “teoria padrão”. Em 1960, quando algumas questões que inicialmente não estavam concretizadas, em meados desta década, essas passaram a ser melhor esclarecidas. Surge então, para melhor explicitar e concretizar a teoria, a ideia inatismo, que passou a ser a hipótese de trabalho, com a consequência da psicologização. Surge também, a noção de estrutura profunda e o léxico, anteriormente deixado um pouco às margens, passa a ser relevante, e como consequência desta relevância, há maior preocupação com a ordem da semântica. Neste momento em que a teoria encontra-se de forma mais concisa, Chomsky passa a receber também as primeiras críticas. Ainda sobre, a teoria-padrão a forma da gramática proposta por ela, encontra-se organizada em três componentes maiores, um componente sintático (que é gerativo) sendo o único que constrói representações, e os dois restantes, constroem interpretações. Assim, há como um componente sintático à base subseqüente pelo componente categorial (isto é, pelo léxico, e pelo componente transformacional). Em respostas a algumas críticas que recebeu, Chomsky afirmou que o componente sintático especifica um conjunto infinito de objetos formais abstratos e cada um deles incorpora as informações de relevância para gerar assim, interpretação única de frase particulares da língua.
Na terceira e última fase, a das regras aos princípios, dá- se aqui os princípios e os parâmetros. Nessa fase os seguidores do pensamento de Chomsky tentaram restringir o poder descritivo da gramática para aumentar o poder explicativo sobre ela. Nesta fase também, há uma tensão entre adequação descritiva e explicativa. A teoria, por sua vez, seria explicativamente adequada quando ela reproduzisse o comportamento de uma criança que adquire a linguagem. Para adquirir a adequação descritiva e construir gramáticas para todas as línguas naturais, os mecanismos teóricos disponíveis devem ser suficientemente ricos e diversos para que pudessem sustentar teoricamente todas as riquezas e diversidades que línguas naturais possuem.
Apesar das críticas que esta corrente recebeu ao longo de sua trajetória, nota-se o progresso da mesma. Mais importante do que julgá-la correta ou não, é importante considerar este ponto de vista sobre um mesmo objeto: a linguagem. Um ponto de vista, que, entre as correntes filosóficas que abrange a linguística, é a única que a enxerga pela ciência biológica e como tantas outras teorias, felizmente pôde ser contestada, para que assim, pudesse criar outras. Desta maneira, nota-se sua importante atuação na construção das ciências humanas, em particular, a linguística (expressão de opinião própria).
É isso. Abraços e até mais! :)
O "Empreendimento Gerativo" de José Borges Neto (Questões)
Olá, pessoal, espero que estejam todos bem!
O professor formulou algumas questões sobre o texto "Empreendimento Gerativo" de José Borges Neto. Como o gerativismo será a próxima corrente filosófica a ser analisada, achei pertinente e relevante que estas questões sejam compartilhada antes da postagem. Já que estamos falando em epistemologia, o que faz do gerativismo ser considerada uma corrente filosófica da linguística? Quais foram os processos? Enfim, deixo essas questões aqui.
Abraços ;)
1.Por qual razão pode-se considerar o gerativismo enquanto um programa de investigação científica? R: O gerativismo pode ser considerado um programa de investigação científica, porque trata-se de um programa extremamente coerente, tendo início em meados do século XX, tornando –se já nos primeiros anos de existência um modo de entender da linguagem humana, que é vista através ciência biológica e não social, como assim os faziam. Desta forma, apesar de toda fundamentação teórica que a consiste, além de ser uma teoria aprovada (o que é uma das razões para ser possível considera-la ciência), o gerativismo, também pode ser contestado.
2.Qual é o núcleo teórico e a heurística do programa de investigação científica de Noam Chomsky no tocante ao gerativismo?
R: O núcleo teórico da criação do programa cientifico de N. Chomsky segue a metodologia do filósofo húngaro Irme Lakatos, metodologia na qual abrange a ciência da história de um modo geral. No caso do gerativismo, segue suas noções de proliferação e de tenacidade. O núcleo de um Programa de investigação cientifica (PIC), é um conjunto de proposições, que por uma decisão metodológica, são dadas em um primeiro momento como não-testáveis, pois até aí, relevam um ponto de vista que irá direcionar qual será a abordagem do objeto é qual a definição deste objeto de estudos segundo esta perspectiva.
A heurística de um PIC é um conjunto de regras metodológicas que ditará as direções que devem ser seguidas para que se dê explicações’ científicas, fazendo com que este novo ponto de vista, esta nova teoria, se torne de fato, uma teoria científica. A heurística, portanto, é considerada uma política de desenvolvimentos de programas científicos, uma seleção e ordenação de problemas e de um plano que conduz a sofisticação progressiva dos modelos explicativos destas teorias. Esses planos, por sua vez, possuem em sua constituição, modelos simuladores da realidade, sendo profundos, complexos e muito abrangentes, até porque, a ciência por si própria é complexa. Recorrendo ao núcleo teórico e a heurística para analisar a teoria de N. Chomsky, isto é, do gerativismo, observa-se que os comportamentos linguísticos enunciados (os efetivos) são pelo menos em partes, determinados por estados da mente/cérebro. E a natureza dos estados destes, possuem suas responsabilidades no comportamento linguístico, que podem ser captadas por sistemas computacionais que formarão e modificarão as representações feitas através do uso da linguagem formal.
3. Quais foram às mudanças em termos de heurística criativa pelas quais passou o empreendimento gerativismo?
R: As mudanças em termos de heurística criativa pelas quais passou o empreendimento gerativo, primeiramente, passou pela proposta da gramática gerativista através das obras Logical Scructure Of Linguistic Theory e a Syntactic structures”. Posteriormente, a gramática gerativista nos anos de 1960, implementou-se com a teoria padrão, contendo as regras dos princípios (princípios e parâmetros) além do programa minimalista.
4. Fale de maneira breve, fale sobre cada uma das fases pelas quais o programa de investigação cientifica gerativista passou ao longo de sua história.
R: As fases em que o programa gerativista passou ao longo de sua história, iniciou-se, primeiramente, em 1957 com a publicação dp livro “Syntactic structures – SS Chomsky” em 1957 e em 1955, quando Chomsky terminou de redigir “The Logical Scructure Of Linguistic Theory”, relevando os fundamentos de sua teoria, isto é, de uma nova linguística por ele formulada. A teoria do primeiro período da gramática gerativa (GG) era conhecida como teoria de “Syntactic structures”. Nela, N. Chomsky propunha a existência de algo anterior e interno da língua propriamente dita, e que os estruturalistas não propunham, ou seja, a capacidade que um falante de uma certa língua possui de produzir enunciados da forma como a língua propõe.
A segunda fase da GG acontece em 1960 com a chamada “teoria padrão”, contida na obra publicada produzida por Chomsky em 1965, a “Aspects of The Theory of Syntax”. Nela, são alteradas significativamente o modelo descritivo além de estar melhor explicitado uma série de postulados que anteriormente (na teoria anterior), eram mostrados forma obscura. Nesse período, também, surge como questão, o inatismo, tornando-o a hipótese de trabalho desta correndo filosófica com a consequente psicologização forte da gramática. A gramática, de acordo com, está organizada em três componentes maiores, um componente sintático (que é gerativo), sendo o único que constrói representações, e os dois restantes, por sua vez, são interpretativos.
A terceira e última fase da gramática gerativista, é a fase que as regras dá lugar aos princípios, abrangendo os princípios e os parâmetros. Nessa fase, pelos seguidores da teoria de Chomsky, houve a tentativa da restrição do poder descritivo da gramática para aumentar assim, o poder explicativo desta gramática gerativa. Nesse período, há uma certa tensão entre adequação descritiva e explicativa, a teoria, então, seria explicativamente adequada ao se reproduzir o comportamento de uma criança que adquire a linguagem. E para adquirir a adequação descritiva e construir gramáticas para todas as línguas naturais, os mecanismos teóricos disponíveis precisam ser suficientemente ricos além de diversos, para que pudessem sustentar teoricamente todas as riquezas e diversidades que línguas naturais possuem.
O professor formulou algumas questões sobre o texto "Empreendimento Gerativo" de José Borges Neto. Como o gerativismo será a próxima corrente filosófica a ser analisada, achei pertinente e relevante que estas questões sejam compartilhada antes da postagem. Já que estamos falando em epistemologia, o que faz do gerativismo ser considerada uma corrente filosófica da linguística? Quais foram os processos? Enfim, deixo essas questões aqui.
Abraços ;)
1.Por qual razão pode-se considerar o gerativismo enquanto um programa de investigação científica? R: O gerativismo pode ser considerado um programa de investigação científica, porque trata-se de um programa extremamente coerente, tendo início em meados do século XX, tornando –se já nos primeiros anos de existência um modo de entender da linguagem humana, que é vista através ciência biológica e não social, como assim os faziam. Desta forma, apesar de toda fundamentação teórica que a consiste, além de ser uma teoria aprovada (o que é uma das razões para ser possível considera-la ciência), o gerativismo, também pode ser contestado.
2.Qual é o núcleo teórico e a heurística do programa de investigação científica de Noam Chomsky no tocante ao gerativismo?
R: O núcleo teórico da criação do programa cientifico de N. Chomsky segue a metodologia do filósofo húngaro Irme Lakatos, metodologia na qual abrange a ciência da história de um modo geral. No caso do gerativismo, segue suas noções de proliferação e de tenacidade. O núcleo de um Programa de investigação cientifica (PIC), é um conjunto de proposições, que por uma decisão metodológica, são dadas em um primeiro momento como não-testáveis, pois até aí, relevam um ponto de vista que irá direcionar qual será a abordagem do objeto é qual a definição deste objeto de estudos segundo esta perspectiva.
A heurística de um PIC é um conjunto de regras metodológicas que ditará as direções que devem ser seguidas para que se dê explicações’ científicas, fazendo com que este novo ponto de vista, esta nova teoria, se torne de fato, uma teoria científica. A heurística, portanto, é considerada uma política de desenvolvimentos de programas científicos, uma seleção e ordenação de problemas e de um plano que conduz a sofisticação progressiva dos modelos explicativos destas teorias. Esses planos, por sua vez, possuem em sua constituição, modelos simuladores da realidade, sendo profundos, complexos e muito abrangentes, até porque, a ciência por si própria é complexa. Recorrendo ao núcleo teórico e a heurística para analisar a teoria de N. Chomsky, isto é, do gerativismo, observa-se que os comportamentos linguísticos enunciados (os efetivos) são pelo menos em partes, determinados por estados da mente/cérebro. E a natureza dos estados destes, possuem suas responsabilidades no comportamento linguístico, que podem ser captadas por sistemas computacionais que formarão e modificarão as representações feitas através do uso da linguagem formal.
3. Quais foram às mudanças em termos de heurística criativa pelas quais passou o empreendimento gerativismo?
R: As mudanças em termos de heurística criativa pelas quais passou o empreendimento gerativo, primeiramente, passou pela proposta da gramática gerativista através das obras Logical Scructure Of Linguistic Theory e a Syntactic structures”. Posteriormente, a gramática gerativista nos anos de 1960, implementou-se com a teoria padrão, contendo as regras dos princípios (princípios e parâmetros) além do programa minimalista.
4. Fale de maneira breve, fale sobre cada uma das fases pelas quais o programa de investigação cientifica gerativista passou ao longo de sua história.
R: As fases em que o programa gerativista passou ao longo de sua história, iniciou-se, primeiramente, em 1957 com a publicação dp livro “Syntactic structures – SS Chomsky” em 1957 e em 1955, quando Chomsky terminou de redigir “The Logical Scructure Of Linguistic Theory”, relevando os fundamentos de sua teoria, isto é, de uma nova linguística por ele formulada. A teoria do primeiro período da gramática gerativa (GG) era conhecida como teoria de “Syntactic structures”. Nela, N. Chomsky propunha a existência de algo anterior e interno da língua propriamente dita, e que os estruturalistas não propunham, ou seja, a capacidade que um falante de uma certa língua possui de produzir enunciados da forma como a língua propõe.
A segunda fase da GG acontece em 1960 com a chamada “teoria padrão”, contida na obra publicada produzida por Chomsky em 1965, a “Aspects of The Theory of Syntax”. Nela, são alteradas significativamente o modelo descritivo além de estar melhor explicitado uma série de postulados que anteriormente (na teoria anterior), eram mostrados forma obscura. Nesse período, também, surge como questão, o inatismo, tornando-o a hipótese de trabalho desta correndo filosófica com a consequente psicologização forte da gramática. A gramática, de acordo com, está organizada em três componentes maiores, um componente sintático (que é gerativo), sendo o único que constrói representações, e os dois restantes, por sua vez, são interpretativos.
A terceira e última fase da gramática gerativista, é a fase que as regras dá lugar aos princípios, abrangendo os princípios e os parâmetros. Nessa fase, pelos seguidores da teoria de Chomsky, houve a tentativa da restrição do poder descritivo da gramática para aumentar assim, o poder explicativo desta gramática gerativa. Nesse período, há uma certa tensão entre adequação descritiva e explicativa, a teoria, então, seria explicativamente adequada ao se reproduzir o comportamento de uma criança que adquire a linguagem. E para adquirir a adequação descritiva e construir gramáticas para todas as línguas naturais, os mecanismos teóricos disponíveis precisam ser suficientemente ricos além de diversos, para que pudessem sustentar teoricamente todas as riquezas e diversidades que línguas naturais possuem.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Vamos Refletir Sobre Variedade Linguística e Norma Culta ?!
Olá pessoal, como estão?
Achei esse vídeo muito interessante e gostaria de compartilhá-lo com vocês para nos levar a certas reflexões. Uma norma culpa é importante para que a comunicação seja padrão com um tipo de língua teoricamente conhecida por todos, isto é, funcionando como uma língua franca. No entanto, é comum vermos preconceitos linguísticos e maneiras de línguas sendo ridicularizadas, enquanto outras são "elevadas". Sabemos que no Brasil, por exemplo, há inúmeras variedades linguísticas, uma delas e bem evidente, é a variação da língua que ocorre com cada Estado. Porém, a discriminação é muito grande. Por que há todo essa preconceito? De que maneira se pode classificar o certo e o errado na língua? O contexto interfere nesse juízo de valor?
Minha proposta hoje, é levá-los à uma reflexão.
Abraços! ;)
Resenha do Texto: “O Estruturalismo Linguístico: alguns caminhos” de Rodolfo Ilari
Olá!
A um tempo atrás, meu professor, Roberto Baronas, pediu para que nós fizéssemos uma resenha sobre o texto “O Estruturalismo Linguístico: alguns caminhos”, de Rodolfo Ilari. Como nele expresso minha opinião, achei pertinente compartilhá-los com vocês. Espero que gostem! Ele está sem sintetizado, pois o número de linhas foi limitado pelo professor! Mas de qualquer forma, aqui vai a resenha:
Resenha do Texto: “O Estruturalismo Linguístico: alguns caminhos” de Rodolfo Ilari
O início do Estruturalismo, coincidiu com o reconhecimento da Linguística como uma disciplina autônoma. Sob influência desta corrente filosófica, estudiosos começaram a sistematizar suas doutrinas. No Brasil, em 1970, o Estruturalismo foi umas das orientações mais importantes na área de linguística, apesar das resistências. No Rio de Janeiro, M. Câmara redigiu o primeiro livro sobre linguística da América do Sul. Em São Paulo, esteve presente em cursos de graduação e pós graduação na USP.
Para a afirmação da linguística estruturalista europeia, a publicação do livro “Cours de Linguistique Générale”, publicado em 1916, tendo como autor Ferdinand de Saussure, foi muito importante. Ele não foi escrito por Saussure, mas por alunos que assistiram alguns de seus cursos e que juntaram anotações próprias com manuscritos do autor e assim, redigiram este livro que implicou no nascimento da linguística. Devido à isso, surgiram dúvidas sobre o “verdadeiro pensamento” do mestre e em busca desta veracidade, houve várias releituras da obra. E graças a esta busca, foi possível novos pensamentos, novos conceitos e novas visões diversificadas sob o mesmo objeto, pois cada nova ciência propõe uma nova visão de mundo. Mais importante do que discutir a veracidade do autor sobre a obra é aproveitar os conhecimentos expostos além de observar as diferentes percepções sob um mesmo objeto que só foi possível com este livro. A noção central elegida por Saussure para a compreensão da linguística é a noção de valor, que só pode ser compreendida por distinções teóricas, como a língua e fala (langue e parole), a mais fundamental oposição saussuriana. Analisando um jogo de xadrez, e se apropriando de metáforas, Saussure concluiu que o objeto específico da linguística, comparando ao jogo, seria as suas regras (isto é, o sistema linguístico), e não os objetos do jogo (ou seja, os elementos linguísticos). Não se compreendia o uso individual da língua como um objeto de estudo. No entanto, nem todos os estruturalistas concordaram completamente com a teoria apresentada no livro. Houve divergências, por exemplo, como no caso da arbitrariedade.
Através da oposição de sincronia e diacronia saussuriana, gerações posteriores descreveram línguas tanto de modo sincrónico como diacrónico, além de estimular o interesse pelas línguas ágrafas ou não-variantes. Em consequência, também proporcionou estudos sobre influências gramaticais greco-latinas, fazendo com que as linguísticas estruturais fossem tipicamente sincrônicas.
Houve ainda outras influências, como a criação da escola de Praga, que harmonizou a teoria de Saussure com outra linha de pensamento linguístico, a de Karl Bühler, o que possibilitou entender o que acontece após o processo de interpretação, não explorado por Saussure. A Glossemática (L. Hjelmslev e Viggo Brondal), foi a que mais se apropriou da tese saussuriana de que as línguas se constituem como sistemas de oposições e conseguiu dar um enfoque estruturalista ao estudo da significação.
No Funcionalismo, formulou e reafirmou-se a “dupla articulação” da linguagem – a primeira, seria a palavra, a segunda, os fonemas. O funcionalista R. Jakobson, mostrou que assimilação progressiva dos traços permite reconstituir as etapas que a criança percorre na aquisição da linguagem.
Também houve influências, permitindo a criação de um estudo linguístico estruturalista americano, que muito se utilizou do estruturalismo europeu, mas foi muito rebatida pela linguística de Chomsky, que proporcionou uma revolução científica. Apesar das críticas que o Estruturalismo de Saussure recebe por ter ignorado elementos essenciais para análise linguística (como a fala), ou da veracidade do que o livro propõe em relação ao autor, não se pode ignorar sua grande contribuição científica e tudo o que este pensamento proporcionou, até mesmo as críticas serviram como enriquecimento intelectual da humanidade, ou seja, na própria ciência.
Obrigada, galera!
Abraços e até mais! ;)
A um tempo atrás, meu professor, Roberto Baronas, pediu para que nós fizéssemos uma resenha sobre o texto “O Estruturalismo Linguístico: alguns caminhos”, de Rodolfo Ilari. Como nele expresso minha opinião, achei pertinente compartilhá-los com vocês. Espero que gostem! Ele está sem sintetizado, pois o número de linhas foi limitado pelo professor! Mas de qualquer forma, aqui vai a resenha:
Resenha do Texto: “O Estruturalismo Linguístico: alguns caminhos” de Rodolfo Ilari
O início do Estruturalismo, coincidiu com o reconhecimento da Linguística como uma disciplina autônoma. Sob influência desta corrente filosófica, estudiosos começaram a sistematizar suas doutrinas. No Brasil, em 1970, o Estruturalismo foi umas das orientações mais importantes na área de linguística, apesar das resistências. No Rio de Janeiro, M. Câmara redigiu o primeiro livro sobre linguística da América do Sul. Em São Paulo, esteve presente em cursos de graduação e pós graduação na USP.
Para a afirmação da linguística estruturalista europeia, a publicação do livro “Cours de Linguistique Générale”, publicado em 1916, tendo como autor Ferdinand de Saussure, foi muito importante. Ele não foi escrito por Saussure, mas por alunos que assistiram alguns de seus cursos e que juntaram anotações próprias com manuscritos do autor e assim, redigiram este livro que implicou no nascimento da linguística. Devido à isso, surgiram dúvidas sobre o “verdadeiro pensamento” do mestre e em busca desta veracidade, houve várias releituras da obra. E graças a esta busca, foi possível novos pensamentos, novos conceitos e novas visões diversificadas sob o mesmo objeto, pois cada nova ciência propõe uma nova visão de mundo. Mais importante do que discutir a veracidade do autor sobre a obra é aproveitar os conhecimentos expostos além de observar as diferentes percepções sob um mesmo objeto que só foi possível com este livro. A noção central elegida por Saussure para a compreensão da linguística é a noção de valor, que só pode ser compreendida por distinções teóricas, como a língua e fala (langue e parole), a mais fundamental oposição saussuriana. Analisando um jogo de xadrez, e se apropriando de metáforas, Saussure concluiu que o objeto específico da linguística, comparando ao jogo, seria as suas regras (isto é, o sistema linguístico), e não os objetos do jogo (ou seja, os elementos linguísticos). Não se compreendia o uso individual da língua como um objeto de estudo. No entanto, nem todos os estruturalistas concordaram completamente com a teoria apresentada no livro. Houve divergências, por exemplo, como no caso da arbitrariedade.
Através da oposição de sincronia e diacronia saussuriana, gerações posteriores descreveram línguas tanto de modo sincrónico como diacrónico, além de estimular o interesse pelas línguas ágrafas ou não-variantes. Em consequência, também proporcionou estudos sobre influências gramaticais greco-latinas, fazendo com que as linguísticas estruturais fossem tipicamente sincrônicas.
Houve ainda outras influências, como a criação da escola de Praga, que harmonizou a teoria de Saussure com outra linha de pensamento linguístico, a de Karl Bühler, o que possibilitou entender o que acontece após o processo de interpretação, não explorado por Saussure. A Glossemática (L. Hjelmslev e Viggo Brondal), foi a que mais se apropriou da tese saussuriana de que as línguas se constituem como sistemas de oposições e conseguiu dar um enfoque estruturalista ao estudo da significação.
No Funcionalismo, formulou e reafirmou-se a “dupla articulação” da linguagem – a primeira, seria a palavra, a segunda, os fonemas. O funcionalista R. Jakobson, mostrou que assimilação progressiva dos traços permite reconstituir as etapas que a criança percorre na aquisição da linguagem.
Também houve influências, permitindo a criação de um estudo linguístico estruturalista americano, que muito se utilizou do estruturalismo europeu, mas foi muito rebatida pela linguística de Chomsky, que proporcionou uma revolução científica. Apesar das críticas que o Estruturalismo de Saussure recebe por ter ignorado elementos essenciais para análise linguística (como a fala), ou da veracidade do que o livro propõe em relação ao autor, não se pode ignorar sua grande contribuição científica e tudo o que este pensamento proporcionou, até mesmo as críticas serviram como enriquecimento intelectual da humanidade, ou seja, na própria ciência.
Obrigada, galera!
Abraços e até mais! ;)
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Estruturalismo: Uma visão geral, Estruturalismo europeu e norte-americano.
Como já mencionado em postagens anteriores, a linguística surge como uma disciplina independente através da publicação do livro "Curso de Linguística Geral" de F. Saussure, considerado, portanto, o pai da linguística. Esses estudos e a teoria saussuriana, é considerada seguidora da corrente filosófica estruturalista. Mas e então, o que seria esse tal estruturalismo??
O estruturalismo parte da ideia de relação de interdependência (os fones, os léxicos estão interligados, por exemplo). Nota-se uma determinância. Exemplo: No português é sempre: " O cachorro" , ou seja, o artigo (feminino ou masculino) e depois o substantivo. Já no inglês, não há marcação de gênero, será usado sempre o "the" para ambos. O Estruturalismo, preocupa com a descrição das línguas em vários níveis (fonético/fonológico, morfológico, sintático, e etc. É uma ciência que preza a descrição interna do sistema, que pode ser não só a língua como cultura, mas como um mito também, por exemplo. Se trata dos estudos estudos imanentes dos elementos do sistema.
Há dois tipos de estruturalismo, o europeu e o norte-americano.
ESTRUTURALISMO EUROPEU:
O estruturalismo europeu iniciou-se com a publicação do CLG, de Saussure. Ele é de base durkheimiana e se confira também com base em dois princípios:
-Princípio da Estrutura: Os elementos que a compõe só podem ser propriamente caracterizados a partir da organização global em que se integram (não se pode pensar em um elementos isoladamente).
-Princípio da Autonomia>: A organização interna de uma língua é um dado original e não pode ser obtida a partir de outra ordem de fatos externos, que lhes são estranhos. A língua como sistema se signos que se define exclusivamente por suas relações internas. Estes elementos mantem entre sí uma relação com outros elementos que não tem relação com movimentos externos à elas.
O Estruturalismo europeu trata-se de um projeto filosófico.
ESTRUTURALISMO AMERICANO: O estruturalismo americano é de base behaviorista. Apesar de "beber da fonte" do Estruturalismo europeu, é diferente devido ao investimento de pesquisadores sobre as línguas indígenas, ou seja, se trata de um projeto político, para descreverem estas línguas e tornar possível a comunicação com esses povos. Praticamente, é independente do Estruturalismo europeu. E se tratando do behaviorismo, significa que se constitui externamente, baseando-se ( as estruturas da junção entre o sintagma nominal e o sintagma verbal, que resultam no enunciado.
Os estruturalistas norte-americanos, como já dito, baseavam-se em uma epistemologia psicológica behaviorista e defendiam que para descrever uma língua, era pelo método de observação. Primeiro, levanta-se um conjunto de dados e com eles, fazer uma descrição em diferentes níveis (fonético, fonológico, morfológico...). Com estas descrições e a partir de análises, formariam generalizações da língua. Enquanto o Estruturalismo americano propunha uma observação empírica da língua, o método do estruturalismo europeu era dedutivo, com formulação de hipóteses. Os princípios também se diferem entre esses dois estruturalismos. Para o Estruturalismo norte-americano, os princípios são:
- Princípio da Substância: Necessidade de uma substância empírica, isto é, de dados para se fazer uma descrição. - Princípio do Indivíduo:Parte de um dado linguístico para formular generalizações, que partirão de unidades.
Ambos homogenizam e seus objetos são estáveis, por isso, não ultrapassam a frase. Para uma melhor compreensão da diferença entre estes dois tipos de Estruturalismo, segue um esquema. Lembrando que tanto um, quanto o outro, se preocupam com a significação:
Pessoal, por hoje é só. Na próxima postagem irei falar um pouco mais sobre o estruturalismo norte-americano, posteriormente sobre o Gerativismo e ainda tem uma novidade totalmente brasileira! Até mais.
ESTRUTURALISMO AMERICANO: O estruturalismo americano é de base behaviorista. Apesar de "beber da fonte" do Estruturalismo europeu, é diferente devido ao investimento de pesquisadores sobre as línguas indígenas, ou seja, se trata de um projeto político, para descreverem estas línguas e tornar possível a comunicação com esses povos. Praticamente, é independente do Estruturalismo europeu. E se tratando do behaviorismo, significa que se constitui externamente, baseando-se ( as estruturas da junção entre o sintagma nominal e o sintagma verbal, que resultam no enunciado.
Os estruturalistas norte-americanos, como já dito, baseavam-se em uma epistemologia psicológica behaviorista e defendiam que para descrever uma língua, era pelo método de observação. Primeiro, levanta-se um conjunto de dados e com eles, fazer uma descrição em diferentes níveis (fonético, fonológico, morfológico...). Com estas descrições e a partir de análises, formariam generalizações da língua. Enquanto o Estruturalismo americano propunha uma observação empírica da língua, o método do estruturalismo europeu era dedutivo, com formulação de hipóteses. Os princípios também se diferem entre esses dois estruturalismos. Para o Estruturalismo norte-americano, os princípios são:
- Princípio da Substância: Necessidade de uma substância empírica, isto é, de dados para se fazer uma descrição. - Princípio do Indivíduo:Parte de um dado linguístico para formular generalizações, que partirão de unidades.
Ambos homogenizam e seus objetos são estáveis, por isso, não ultrapassam a frase. Para uma melhor compreensão da diferença entre estes dois tipos de Estruturalismo, segue um esquema. Lembrando que tanto um, quanto o outro, se preocupam com a significação:
Pessoal, por hoje é só. Na próxima postagem irei falar um pouco mais sobre o estruturalismo norte-americano, posteriormente sobre o Gerativismo e ainda tem uma novidade totalmente brasileira! Até mais.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
JORNADA DE ESTUDOS SAUSSURIANOS!
Olá, pessoal!
Aconteceu semana passada (18/09), a II Jornada de Estudos Saussurianos na universidade em que estudo, UFSCar. Como já apresentei Saussure pra vocês, de uma maneira bem breve diga-se se passagem, achei interessante publicar um breve relatório sobre o que aconteceu na jornada. Caso prefiram, leiam depois que eu postar mais coisas sobre o Estruturalismo (estou preparando).
Um beijão, e aqui vai, espero que gostem e entendam!
A jornada sobre estudos Saussurianos que ocorreu no dia 18 de Setembro na Universidade Federal de São Carlos, foi ministrada por três palestrantes, a prof.ª Dr.ª Eliane Mara Silveira, a prof.º Dr.º Mônica Baltazar e o aluno Samuel Ponsoni, respectivamente.
A prof.º Dr.ª Eliane M. Silveira, iniciou sua fala contanto sua experiência de ir até a biblioteca de Genebra no ano de 1.999, para ter contato com os manuscritos se F. de Saussure aonde haviam cerca de trinta mil deles.
Após a morte deste filósofo, considerado o pai da linguística, sua esposa selecionou manuscritos que seriam doados para a biblioteca, pois alguns deles continham s anotações sobre a vida particular matrimonial que ela não gostaria que fosse exposta. Juntamente com estes, foram enviados cadernos de alunos contento anotações sobre aulas que Saussure ministrou. Porém, muitos desses manuscritos, tanto dos alunos quanto do próprio filósofo, foram simplesmente descartados por bibliotecários que os julgaram velhos ou mal conservados. Naquela época, não se tinha muita noção da importância destes materiais para a história, sobretudo da linguística.
Além das ideias e teorias de Saussure, através destas anotações, pode-se descobrir fatos muito interessantes sobre ele. Um deles – e muito interessante, já que contradiz um pouco a sua teoria- é que ele fez uma viajem para Lituânia e fez anotações sobre a língua deste local. Isso levantou questionamentos sobre se de fato ele excluía a fala de todas as suas análises, já que o fato de se preocupar em fazer esta descrição, provava o contrário. O fato de seu passaporte estar incluído nos materiais doados à biblioteca, pode-se analisar a data de sua viagem para comparar com a data aproximada da invenção de sua teórica mais conhecida e assim, analisar se eram datas se esta descrição pode ter influenciado ou não.
A natureza desses papéis não era comum. Alguns eram escritos com pedaços de papéis, outros em convites de casamento. Saussure só se preocupava com a estética se tratando de cartas, fato que era muito notável.
Através do contato com tais manuscritos, a pesquisadora os organizou em sete categorias: - ANAGRAMAS: Anotações sobre poesia grega e latina. As rasuras que continham neste tipo de anotações, raramente era por algum erro, mas sim, por reorganização. Saussure riscava de algum lugar do papel para reescrever em outra parte de modo que ficasse mais organizado. Estavam contidos também em pequenos cadernos, por tanto, eram os mais fáceis de serem catalogados. - LENDAS GERMÂNICAS: Na época em que estudou lendas germânicas, era algo muito comum. Com elas, Saussure estudou o funcionamento dos nomes próprios o que o fez pensar e construir uma arbitrariedade de signos. Neste tipo de anotação, notava-se poucas rasuras também. - CARTAS: Havia uma enorme quantidade de cartas em comparação aos outros tipos de materiais. Como já mencionado, Saussure se preocupava com a estética da carta, portanto, não haviam nenhuma rasura nelas. Em seu conteúdo, muitas delas registravam teorias ou troca delas e estavam registradas em várias línguas: latim, alemão, francês; Algumas delas possuíam também conteúdos pessoais, como por exemplo, uma confissão do filósofo dizendo que odiava a cidade na qual residia na época e que só decidiu se mudar por causa de seus amigos. - RASCUNHO DE ARTIGOS: Eram um dos mais rasurados. Continham anotações que posteriormente, seriam transformados em artigos. Alguns artigos não foram publicado à pedido do próprio Saussure que, por ser uma pessoa muito sistemática e perfeccionista, não acreditava estar bom o bastante para ser publicado. - TESTEMUNHO PESSOAL: Continha anotações pessoais e o início de algumas teorias. - ANÁLISE LINGUÍSTICA: Continha análises de línguas particulares (como o francês e o alemão) e formulou-se com a mesma sistematização que fez na Lituânia, quebrando mais uma vez com o estereótipo de que Saussure excluiu a fala. Iniciou-se aí os estudos da teoria do valor. - LINGUÍSTICA GERAL: Através das análises linguísticas, houve a possibilidade de formular uma teoria geral, a linguística. Após a exposição dos estudos da prof.ª Dr.ª Eliane, passou-se a palavra para a prof.ª Dr.ª Mônica, que em síntese, disse sobre a criação e publicação do livro: “Curso de Linguística Geral”.
Apesar de ser assinado como autoria de Saussure, o livro foi escrito por alguns de seus discípulos que a partir de anotações próprias e do contato com manuscritos de Saussure, criaram este livro. Saussure não conseguiu publicar o livro antes de seu falecimento, como já dito, por ser perfeccionista ou não acreditar estar com sua teoria desenvolvida para publicá-la. Mais importante do se ater com a verdadeira autoria do “Curso de Linguística Geral”, é pensar na sua importância para a linguística. Além de fundar esta ciência, o livro permitiu apresentar e denominar um objeto para esta nova ciência. As considerações e as importâncias dadas a esse livro foram tantas que até parecia que o Estruturalismo, corrente filosófica do qual Saussure foi um dos precursores, compunha a linguística de maneira singular (o que de fato, aconteceu no início, já que tal filósofo a fundou).
O Estruturalismo proposto por Saussure, parte da ideia de interdependência da língua. Os elementos que a compõe só podem ser propriamente caracterizados a partir da organização global a qual se integram (princípio da estrutura). Já a organização interna de uma determinada língua, é um dado original e não pode ser obtida a partir de outra ordem de fatos externos, que lhe são estranhos. A língua como sistema de signos é que se define exclusivamente por suas relações internas (princípio da autonomia). Esses são os dois princípios que sustem o Estruturalismo saussuriano.
Todos estes conhecimentos teóricos só foram alcançados com a publicação do CLG (“Curso de Linguística Geral”) que faz referência à Saussure. Seus alunos o escreveram buscando obter um corpo teórico que reconhecia essa ciência, a linguística.
Após esta exposição, o aluno Samuel Ponsoni começou a expor ao público suas análises, que na verdade, eram reflexões do seguinte questionamento, sobre a perspectiva de Bouquete: “Princípios de uma linguística da Interpretação seria o caso de uma epistemologia neossaussuriana?”
Para se pensar sobre este questionamento, o aluno expôs antes de tudo, suas pesquisas. Deste moto, disse sobre um segundo campo de reflexão (analítico-filosófico), no que concerne aos entendimentos sobre a linguagem. O terceiro campo é a prospectiva sobre uma epistemologia que à medida que não se trata de uma avaliação das possibilidades de uma ciência existente, no caso, a linguística de antigamente, mas a visão de ciência vindoura.
Se tratando da legitimidade da Linguística, para comprovar que se trata de uma ciência, precisa-se satisfazer três leis gerais da cientificidade: a literalização de seu objeto, a formalização e a refutabilidade – o que se encontra na teoria saussuriana.
Sobre a empiricidade, em qualquer ciência, como quer Saussure, aplica-se necessariamente um objeto empírico que coordenará espaço-temporais específicos.
Em linguística, de acordo com a releitura de Bouquet, este item, a empiricidade, remete à interpretação e as coordenadas serão os acontecimentos de interpretação. Sobre seus princípios metodológicos, a interpretação de sequência da linguagem é qualquer descrita pelo conjunto de leis que estão correlacionadas com o signo global enquanto o nível semiótico, do signo local, o que certamente, pode resultar em uma sequência algébrica: a literalização e formalização.
Analisando também sobre o princípio de hermenêutica, foi dito pelo aluno que uma sequência de linguagem pode ser analisada em termos de seu significado, advinda de um produto da composição de seus signos. Além disso, a interpretação pode ser obtida de um signo global (ou geral), isto é, não composicional, respondendo a necessidade de uma sequência de análise.
Sobre o princípio da semiose, pode-se assumir a fórmula: “ A linguagem (o uso da língua na fala), é uma faculdade semiótica”. O objeto transversal da linguística é o signo. Ele, por seu turno, baseia-se em três propriedades comuns a todos os tipos de signos linguísticos e em todas os níveis de análise: bifacialitê, sincronicidade e diferencionalidade.
Ainda sobre a linha de pensamento de Bouqet, depois de um século de estudos das teorias de Saussure, pode-se dizer que a sua reflexão teórica e metodológica se baseia sobretudo em três campos. O primeiro é o epistemológico, no sentido de crítica de uma ciência diante de fatos históricos observados.
Se atendo neste, Saussure tenta explorar questões epistemológicas dominantes na sua época, a gramática comparada, para poder criar uma epistemologia geral e pragmática de uma ciência tal como criou. No entanto, este filósofo reconhece de fato a gramática comparada, tanto que satisfaz os três critérios de legitimidade científica, como foi já foi relatado.
Porém, para explorar o que se tem à época, precisa-se ir além, com estudos ainda mais complexos.
Além das ideias e teorias de Saussure, através destas anotações, pode-se descobrir fatos muito interessantes sobre ele. Um deles – e muito interessante, já que contradiz um pouco a sua teoria- é que ele fez uma viajem para Lituânia e fez anotações sobre a língua deste local. Isso levantou questionamentos sobre se de fato ele excluía a fala de todas as suas análises, já que o fato de se preocupar em fazer esta descrição, provava o contrário. O fato de seu passaporte estar incluído nos materiais doados à biblioteca, pode-se analisar a data de sua viagem para comparar com a data aproximada da invenção de sua teórica mais conhecida e assim, analisar se eram datas se esta descrição pode ter influenciado ou não.
A natureza desses papéis não era comum. Alguns eram escritos com pedaços de papéis, outros em convites de casamento. Saussure só se preocupava com a estética se tratando de cartas, fato que era muito notável.
Através do contato com tais manuscritos, a pesquisadora os organizou em sete categorias: - ANAGRAMAS: Anotações sobre poesia grega e latina. As rasuras que continham neste tipo de anotações, raramente era por algum erro, mas sim, por reorganização. Saussure riscava de algum lugar do papel para reescrever em outra parte de modo que ficasse mais organizado. Estavam contidos também em pequenos cadernos, por tanto, eram os mais fáceis de serem catalogados. - LENDAS GERMÂNICAS: Na época em que estudou lendas germânicas, era algo muito comum. Com elas, Saussure estudou o funcionamento dos nomes próprios o que o fez pensar e construir uma arbitrariedade de signos. Neste tipo de anotação, notava-se poucas rasuras também. - CARTAS: Havia uma enorme quantidade de cartas em comparação aos outros tipos de materiais. Como já mencionado, Saussure se preocupava com a estética da carta, portanto, não haviam nenhuma rasura nelas. Em seu conteúdo, muitas delas registravam teorias ou troca delas e estavam registradas em várias línguas: latim, alemão, francês; Algumas delas possuíam também conteúdos pessoais, como por exemplo, uma confissão do filósofo dizendo que odiava a cidade na qual residia na época e que só decidiu se mudar por causa de seus amigos. - RASCUNHO DE ARTIGOS: Eram um dos mais rasurados. Continham anotações que posteriormente, seriam transformados em artigos. Alguns artigos não foram publicado à pedido do próprio Saussure que, por ser uma pessoa muito sistemática e perfeccionista, não acreditava estar bom o bastante para ser publicado. - TESTEMUNHO PESSOAL: Continha anotações pessoais e o início de algumas teorias. - ANÁLISE LINGUÍSTICA: Continha análises de línguas particulares (como o francês e o alemão) e formulou-se com a mesma sistematização que fez na Lituânia, quebrando mais uma vez com o estereótipo de que Saussure excluiu a fala. Iniciou-se aí os estudos da teoria do valor. - LINGUÍSTICA GERAL: Através das análises linguísticas, houve a possibilidade de formular uma teoria geral, a linguística. Após a exposição dos estudos da prof.ª Dr.ª Eliane, passou-se a palavra para a prof.ª Dr.ª Mônica, que em síntese, disse sobre a criação e publicação do livro: “Curso de Linguística Geral”.
Apesar de ser assinado como autoria de Saussure, o livro foi escrito por alguns de seus discípulos que a partir de anotações próprias e do contato com manuscritos de Saussure, criaram este livro. Saussure não conseguiu publicar o livro antes de seu falecimento, como já dito, por ser perfeccionista ou não acreditar estar com sua teoria desenvolvida para publicá-la. Mais importante do se ater com a verdadeira autoria do “Curso de Linguística Geral”, é pensar na sua importância para a linguística. Além de fundar esta ciência, o livro permitiu apresentar e denominar um objeto para esta nova ciência. As considerações e as importâncias dadas a esse livro foram tantas que até parecia que o Estruturalismo, corrente filosófica do qual Saussure foi um dos precursores, compunha a linguística de maneira singular (o que de fato, aconteceu no início, já que tal filósofo a fundou).
O Estruturalismo proposto por Saussure, parte da ideia de interdependência da língua. Os elementos que a compõe só podem ser propriamente caracterizados a partir da organização global a qual se integram (princípio da estrutura). Já a organização interna de uma determinada língua, é um dado original e não pode ser obtida a partir de outra ordem de fatos externos, que lhe são estranhos. A língua como sistema de signos é que se define exclusivamente por suas relações internas (princípio da autonomia). Esses são os dois princípios que sustem o Estruturalismo saussuriano.
Todos estes conhecimentos teóricos só foram alcançados com a publicação do CLG (“Curso de Linguística Geral”) que faz referência à Saussure. Seus alunos o escreveram buscando obter um corpo teórico que reconhecia essa ciência, a linguística.
Após esta exposição, o aluno Samuel Ponsoni começou a expor ao público suas análises, que na verdade, eram reflexões do seguinte questionamento, sobre a perspectiva de Bouquete: “Princípios de uma linguística da Interpretação seria o caso de uma epistemologia neossaussuriana?”
Para se pensar sobre este questionamento, o aluno expôs antes de tudo, suas pesquisas. Deste moto, disse sobre um segundo campo de reflexão (analítico-filosófico), no que concerne aos entendimentos sobre a linguagem. O terceiro campo é a prospectiva sobre uma epistemologia que à medida que não se trata de uma avaliação das possibilidades de uma ciência existente, no caso, a linguística de antigamente, mas a visão de ciência vindoura.
Se tratando da legitimidade da Linguística, para comprovar que se trata de uma ciência, precisa-se satisfazer três leis gerais da cientificidade: a literalização de seu objeto, a formalização e a refutabilidade – o que se encontra na teoria saussuriana.
Sobre a empiricidade, em qualquer ciência, como quer Saussure, aplica-se necessariamente um objeto empírico que coordenará espaço-temporais específicos.
Em linguística, de acordo com a releitura de Bouquet, este item, a empiricidade, remete à interpretação e as coordenadas serão os acontecimentos de interpretação. Sobre seus princípios metodológicos, a interpretação de sequência da linguagem é qualquer descrita pelo conjunto de leis que estão correlacionadas com o signo global enquanto o nível semiótico, do signo local, o que certamente, pode resultar em uma sequência algébrica: a literalização e formalização.
Analisando também sobre o princípio de hermenêutica, foi dito pelo aluno que uma sequência de linguagem pode ser analisada em termos de seu significado, advinda de um produto da composição de seus signos. Além disso, a interpretação pode ser obtida de um signo global (ou geral), isto é, não composicional, respondendo a necessidade de uma sequência de análise.
Sobre o princípio da semiose, pode-se assumir a fórmula: “ A linguagem (o uso da língua na fala), é uma faculdade semiótica”. O objeto transversal da linguística é o signo. Ele, por seu turno, baseia-se em três propriedades comuns a todos os tipos de signos linguísticos e em todas os níveis de análise: bifacialitê, sincronicidade e diferencionalidade.
Ainda sobre a linha de pensamento de Bouqet, depois de um século de estudos das teorias de Saussure, pode-se dizer que a sua reflexão teórica e metodológica se baseia sobretudo em três campos. O primeiro é o epistemológico, no sentido de crítica de uma ciência diante de fatos históricos observados.
Se atendo neste, Saussure tenta explorar questões epistemológicas dominantes na sua época, a gramática comparada, para poder criar uma epistemologia geral e pragmática de uma ciência tal como criou. No entanto, este filósofo reconhece de fato a gramática comparada, tanto que satisfaz os três critérios de legitimidade científica, como foi já foi relatado.
Porém, para explorar o que se tem à época, precisa-se ir além, com estudos ainda mais complexos.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
A Origem da Linguística e Uma Visão Geral de Suas Correntes Filosóficas.
Olá, pessoal! Nesta nova publicação, gostaria de falar sobre a origem da linguagem dada como ciência (Linguística) além de uma breve explicação sobre cada corrente filosófica. Pretendo criar mais publicações me aprofundando em cada uma delas isoladamente, espero ter competência para isso. Enfim, vamos ao que nos interessa, Rs.
Em meados do século XVII houve um interesse em observar e procurar o que as línguas tinham em comum (com a gramatização). Analisava-se as estruturas internas (como por exemplo, verbo, predicado) e como se davam suas funções nessas diferentes línguas. Era essa o objetivo dos gramáticos gerais, observar o que as línguas possuíam em comum através de análises gramaticais.
Já os comparatistas, tempos depois, acreditam que as todas as línguas vieram de uma língua mãe, o latim. Acreditavam nisso porque percebiam semelhanças em línguas, como por exemplo, nas seguintes palavras:
Nuit (Latim)
Noche (Espanhol)
Night (Inglês)
Noite (Português)
No final do século XIX, surgiu o movimento historicista que defendia que a língua passa por transformações. Os historicistas, portanto, estudavam essas transformações e o porque delas, ou seja, o motivo pelo qual algumas palavras se modificam, como por exemplo:
Vejam a modificação desse termo ao longo do tempo: "Vossa merecendência" > "Vossa mercê" > "Vossemecê" > "Vosmecê" > "Vancê" > "Você" > "Cê". . O que antigamente era usado como pronome de tratamento para a corte (Vossa merecendência), transformou-se, hoje, em um tratamento familiar e totalmente reduzido em "cê".
Observa-se portanto, estudos sobre línguas, mas não como uma ciência. A linguística surgiu com Ferdinand de Saussure, considerado por muitos o pai desta ciência, com a publicação do livro: "Curso de Linguística Geral", que apesar de estar assinado com seu nome, não foi ele de fato quem escreveu (mas isso é assunto pra outra postagem, rs). O ESTRUTURALISMO é, portanto, a primeira corrente filosófica da Linguística. Ela parte da ideia de relação de interdependência (os fones, os léxicos, são estruturas que se interligam, são dependentes, por exemplo). Há também uma determinância da língua, exemplo:
No português, é sempre: " O cachorro" , "O gato" (Há sempre o artigo antes do verbo) e NÃO "Cachorro o", "Gato o";
No inglês, não há marcação de gênero, é sempre "The" tanto para feminino quanto para masculino. Isso não ocorre com o português, usa-se "o" ou "a" de acordo com o gênero.
O estruturalista preocupa-se com a descrição da língua em vários níveis (fonético/fonológico, morfológico, sintático...)
A segunda corrente, o GERATIVISMO (N. Chomsky), defende a ideia de que a língua é inata, isto é, já se nasce com ela. É a única corrente que é considerada biológica, não das ciências humanas como as outras. Um dos argumentos usados para defender esta corrente, é que os bebês, por exemplo, aprendem a língua com poucos recursos, pois não as mostram uma diversidade de palavras, fala-se pouco com elas ("quer mamar, bebê?" , "quer papar?!" - coisas do tipo, Rs), e mesmo assim elas ainda conseguem falar além disso. Para Chomsky, isso é possível porque elas produzem dados que não foram ouvidos antes, pois a língua é inata e vai se desenvolvendo ao longo do tempo. Para os gerativistas, a língua é passiva de explicação e não de descrição (que é defendido por estruturalistas), exemplo:
Com base na seguinte expressão: "O onça"
O estruturalista diria que nessa língua não se faz marcação de gênero.
O gerativista iria pesquisar os motivos por se falar assim (as questões históricas, sociológicas e etc).
Enquanto os estruturalistas trabalham com o corpus (léxico), os gerativistas não, pois defendem que pelas próprias produções eles buscam explicações. Ele não vai até um determinado local geográfico para colher dados e construir corpus. Por falta dessa falta de corpus ele forma HIPÓTESES e tenta verificar se essas hipóteses se confirmam. Já um estruturalista, como já dito, teria um corpus. Com ele, descreveria a língua e chegaria em uma conclusão (exemplo: essa língua não usa concordância nominal). Os gerativistas defendem também a universalização da língua (gramática).
A terceira corrente, o FUNCIONALISMO, em oposição ao estruturalismo e gerativismo, se preocupa em estudar a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os diferentes contextos comunicativos em que elas são usadas. Não se trata de uma abordagem monolítica; ao contrário, ele reúne um conjunto de subteorias que coincidem na postulação de que a língua tem funções cognitivas e sociais que desempenham um papel central na determinação das estruturas e dos sistemas que organizam a gramática de uma língua. O funcionalismo se caracteriza pelo objetivo de investigar a relação entre forma e função no uso da língua; estuda as capacidades linguísticas e comunicativas (competência de adequar a língua – formulação de textos) aos contextos de produção.
Uma análise funcional da língua entende que cada escolha do usuário estabelece uma função para a constituição textual. Essa é uma das diferenças entre o Funcionalismo e o Estruturalismo: para este, a noção de função linguística surge pela oposição de elementos linguísticos, para aquele, surge da articulação.
Já a quarta corrente, o MATERIALISMO, foge um pouco desse âmbito estritamente linguístico, pois os materialistas vão pensar na linguagem não apenas no aspecto linguístico, mas também e principalmente no aspecto social e histórico.
Defendem a ideia de que no nível do sentido existe uma ordem do enunciável, atingindo tanto o objeto como o sujeito da enunciação. Acreditam que existe uma espécie de filtros linguísticos que determinam o que deve ser dito ou não numa enunciação; os materialistas focam seu trabalho na área de pensar nas condições e possibilidades do discurso. Ao contrário do Estruturalismo, para Bakhtin, é incorreto pensar na linguagem como um sistema pois não seria possível pensar em todos os fenômenos da linguagem se não levassem em consideração os sujeitos, pois segundo esta corrente, a "minha" fala depende da fala de outra pessoa. Em síntese, para Bakhtin "é tudo social" e as questão linguísticas devem ser pensadas olhando diretamente para a sociedade, o sujeito enquanto falante.
Pessoal por hoje é isso. Como eu já mencionei, meu objetivo era passar uma visão geral de cada corrente para posteriormente, explorá-las.
Até mais,
Abraços :)
domingo, 14 de setembro de 2014
Linguística? Epistemologia da Linguística?
Olá, pessoal. E aí, vamos finalmente falar de Linguística?! Rs.
Grosso modo (beeeeem grosso modo), Linguística é a ciência da linguagem (no geral). Essa ciência se preocupa principalmente em investigar quais são os desdobramentos e nuances envolvidos na linguagem humana, que são muitas. Por exemplo, o caso da gramática normativa. É evidente que ela não descreve a língua como ela realmente é, mas sim, como deve ser materializada pelos falantes, constituída por via de regras. É notável no Brasil, por exemplo, a diferença da língua fluída (aquela que realmente falamos), e dessa língua segunda a gramática normativa (língua imaginária). O assunto é tão complexo que há várias teorias filosóficas que se preocupam com isso. E falando em teorias linguísticas, chegamos até a Epistemologia da Linguística... Afinal, o que é isso?? Epistemologia é um ramo da filosofia que se preocupa em entender o que faz de uma ciência ser denominada como tal, ou seja, as razões para se afirmar que um discurso é uma ciência. No caso da Linguística, a epistemologia da Linguística busca compreender o que torna uma ciência linguística desde antigamente até nos dias atuais. Há quatro correntes que sustentam essa ciência desde o início do século XX:
- ESTRUTURALISMO (1916) - Ferdinand de Saussure (considerado o pai da Linguística) - GERATIVISMO (1953) - Noam Chomsky - FUNCIONALISMO (1950) - André Martinet; Roman Jakobson
- MATERIALISMO (1920) - Mikhail Bakhtin; Michel Pêcheux; Michel Foucault
Todas essas correntes possuem em comum o mesmo objeto observacional: A linguagem. Porém, as observam de modo peculiar o que resulta em objetos teóricos distintos. A linguística enquanto ciência é uma tentativa de uma representação de uma realidade, no caso, a língua. (Toda ciência é uma tentativa de criar um modelo que tenta representar uma certa realidade, não reproduzir).
Por hoje é só. Na próxima postagem irei falar sobre o início dos estudos linguísticos e das correntes filosóficas citadas acima. Até mais!
Grosso modo (beeeeem grosso modo), Linguística é a ciência da linguagem (no geral). Essa ciência se preocupa principalmente em investigar quais são os desdobramentos e nuances envolvidos na linguagem humana, que são muitas. Por exemplo, o caso da gramática normativa. É evidente que ela não descreve a língua como ela realmente é, mas sim, como deve ser materializada pelos falantes, constituída por via de regras. É notável no Brasil, por exemplo, a diferença da língua fluída (aquela que realmente falamos), e dessa língua segunda a gramática normativa (língua imaginária). O assunto é tão complexo que há várias teorias filosóficas que se preocupam com isso. E falando em teorias linguísticas, chegamos até a Epistemologia da Linguística... Afinal, o que é isso?? Epistemologia é um ramo da filosofia que se preocupa em entender o que faz de uma ciência ser denominada como tal, ou seja, as razões para se afirmar que um discurso é uma ciência. No caso da Linguística, a epistemologia da Linguística busca compreender o que torna uma ciência linguística desde antigamente até nos dias atuais. Há quatro correntes que sustentam essa ciência desde o início do século XX:
- ESTRUTURALISMO (1916) - Ferdinand de Saussure (considerado o pai da Linguística) - GERATIVISMO (1953) - Noam Chomsky - FUNCIONALISMO (1950) - André Martinet; Roman Jakobson
- MATERIALISMO (1920) - Mikhail Bakhtin; Michel Pêcheux; Michel Foucault
Todas essas correntes possuem em comum o mesmo objeto observacional: A linguagem. Porém, as observam de modo peculiar o que resulta em objetos teóricos distintos. A linguística enquanto ciência é uma tentativa de uma representação de uma realidade, no caso, a língua. (Toda ciência é uma tentativa de criar um modelo que tenta representar uma certa realidade, não reproduzir).
Por hoje é só. Na próxima postagem irei falar sobre o início dos estudos linguísticos e das correntes filosóficas citadas acima. Até mais!
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Apresentação
Olá, meu nome é Camila, tenho 18 anos e sou estudante de Linguística na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). É bem comum as pessoas me perguntarem o que seria essa tal Linguística. Não irei responder de imediato, mas espero que ao longo das postagens, eu possa ajudar quem ainda não compreende ou não conhece esta ciência da linguagem (Já dei uma dica, rs). Já adianto que não, não estudo idiomas e não é "tipo Letras". Geralmente é essa ideia que as pessoas tem. Mas é muito mais complexo que isso. Tão complexo que há várias vertentes filosóficas que se questionam sobre.
Falando em filosofia, deixe-me explicar. Criei este blog a pedido de um professor (Roberto Baronas), que leciona a matéria denominada "Epistemologia da Linguística". Não se assustem com o nome, também irei explicar o que isso significa. Esse professor usará o blog como um instrumento de avaliação. Portanto, os assuntos que serão aqui abordados fazem referência não só a assuntos pertinentes à essa matéria como da Linguística em geral.
Bom, pessoal, é isso. Meu objetivo desta primeira publicação era fornecer uma breve explicação deste blog! E então... Vamos falar de Linguística?! Rs.
Falando em filosofia, deixe-me explicar. Criei este blog a pedido de um professor (Roberto Baronas), que leciona a matéria denominada "Epistemologia da Linguística". Não se assustem com o nome, também irei explicar o que isso significa. Esse professor usará o blog como um instrumento de avaliação. Portanto, os assuntos que serão aqui abordados fazem referência não só a assuntos pertinentes à essa matéria como da Linguística em geral.
Bom, pessoal, é isso. Meu objetivo desta primeira publicação era fornecer uma breve explicação deste blog! E então... Vamos falar de Linguística?! Rs.
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